suplantado as mínimas e básicas necessidades do ser humano através do mais profundo relacionamento com o divino.

Foi então que uma voz dos céus dirigiu-se a eles, dizendo: “vocês deixaram aquela caverna para destruir meu mundo? Voltem já para lá !!!” (6). Ficara explícito, agora, que a manutenção da ordem social tem a aprovação de Deus. Isso significa, portanto, que o homem tem todo o direito de gozar os frutos de seu trabalho como recompensa por seu esforço.

Porém, um grande cuidado há de ser tomado. Acumular riquezas para comprazer à luxúria, não está de acordo com a Sua vontade. “Quando Salomão erigiu o templo, ele disse ao Todo-Poderoso: ‘Soberano do Universo, se um homem rogar-te por abundância e Tu souberes que abusará dela, não lhe conceda. Porém, se Tu vês um homem usar suas riquezas para o bem, concede sua petição, tal como ele Te pede’ , pois, assim está dito: ‘ concede a cada homem conforme os seus próprios caminhos, porque Tu conheces o seu  coração’ “ (7)

Há uma abundância de significados na definição: “quem é rico? É aquele que se alegra com a sua porção, pois está dito: ‘quando você come o trabalho das tuas mãos, você é feliz e estará feliz consigo mesmo’ ” (8). Dizem os rabinos que a expressão “você é feliz” refere-se à vida neste mundo, e “estará feliz consigo mesmo” refere-se à vida no mundo vindouro. (9).  

Isso cristaliza o ponto de vista dos rabinos a respeito do mundo material.        

[1] TB Shabbat 25b.  Os quatro rabinos mencionados nesta passagem foram  tannaim do século II  E.C , isto é, mestres mencionados na Mishnah

[2] Pirkei Avot 3:21  
[3] TB Baba Batra 116a   
[4] TB Berakhot 57b   
[5] TB Shabbat 25b   
[6] TB Shabbat 33b   
[7] II Cron. 6:30; Exod. Rabbah 31:5   
[8] Salmos 127:2    
[9] Pirkei Avot 4:1

 

 

 

PENSAMENTO 2

 

A um rabino muito justo foi permitido que visitasse o purgatório (em hebraico, chamado Guehinom) e o paraíso (GanEden).

Primeiramente foi levado ao purgatório, de onde provinham os gritos mais horrendos dos rostos mais angustiados que já virá. Estavam todos sentados numa grande mesa. Sobre ela, se viam iguarias, comidas das mais deliciosas que se possa imaginar, com a prataria e a louça mais maravilhosa que jamais se vira. Não entendendo porque sofriam tanto, o rabino prestou mais atenção e viu que seus cotovelos estavam invertidos, de tal forma que não podiam dobrar os braços e levar aquelas delícias às suas bocas.

 



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